segunda-feira, 30 de março de 2015

o pintassilgo e as rãs














Uma parábola simplesmente fascinante de autoria de Rubem Alves, que dá o que pensar...


O pintassilgo e as rãs




“Num lugar não muito longe daqui havia um poço fundo e escuro onde, desde tempos imemoriais, uma sociedade de rãs se estabelecera. Tão fundo era o poço que nenhuma delas jamais havia visitado o mundo de fora. Estavam convencidas de que o universo era do tamanho do seu buraco. Havia sobejas evidências científicas para corroborar essa teoria, e somente um louco, privado dos sentidos e da razão, afirmaria o contrário. Aconteceu, entretanto, que um pintassilgo que voava por ali viu o poço, ficou curioso e resolveu investigar suas profundezas. Qual não foi sua surpresa ao descobrir as rãs! Mais perplexas ficaram elas, pois aquela estranha criatura de penas colocava em questão todas as verdades já secularmente sedimentadas e comprovadas em sua sociedade. O pintassilgo morreu de dó. Como é que as rãs podiam viver presas em tal poço, sem ao menos a esperança de poder sair? Claro que a idéia de sair era absurda para os batráquios pois, se o seu buraco era o universo, não poderia haver um ‘lá fora’. E o pintassilgo se pôs a cantar furiosamente. Trinou a brisa suave, os campos verdes, as árvores copadas, os riachos cristalinos, borboletas, flores, nuvens, estrelas… o que pôs em polvorosa a sociedade das rãs, que se dividiram. Algumas acreditaram e começaram a imaginar como seria lá fora. Ficaram mais alegres e até mesmo mais bonitas. Coaxaram canções novas. As outras fecharam a cara. Afirmações não confirmadas pela experiência não deveriam ser merecedoras de crédito, elas alegavam. O pintassilgo tinha de estar dizendo coisas sem sentido e mentiras. E se puseram a fazer a crítica filosófica, sociológica e psicológica do seu discurso. A serviço de quem estaria ele? Das classes dominantes? Das classes dominadas? Seu canto seria uma espécie de narcótico? O passarinho seria um louco? Um enganador? Quem sabe ele não passaria de uma alucinação coletiva? Dúvidas não havia de que o tal canto tinha criado muitos problemas. Tanto as rãs-dominantes como as rãs-dominadas (que secretamente preparavam uma revolução) não gostaram das idéias que o canto do pintassilgo estava colocando na cabeça do povão. Por ocasião de sua próxima visita o pintassilgo foi preso, acusado de enganador do povo, morto, empalhado e as demais rãs proibidas, para sempre, de coaxar as canções que ele lhes ensinara…”

comentário meu:
De minha parte, prefiro o risco de ser o pintassilgo, do que permanecer na "segurança" do poço escuro.

sábado, 28 de março de 2015

considerações de uma madrugada.











Considerações de uma madrugada.

Uma madrugada destas acordei e não consegui mais dormir, decidi então escrever o que estava me inquietando, na esperança de mais tarde complementar, pode ser que as frases abaixo pareçam num primeiro momento desconexas, mas naquele momento fizeram todo o sentido e hoje ao revisá-las achei por bem compartilhar assim mesmo.

Quem valoriza sua renúncia pessoal no reino de Deus, ainda não compreendeu o preço que foi pago por sua vida.

Quem se perde em cálculos sobre o valor da torre, ainda não compreendeu o preço de seu resgate.

Um Deus que requer 70x7 vezes perdão, em um dia, dos homens, não poderia estar disposto a fazer ele mesmo menos do que isto.

A alvura de nossas vestes deve-se ao alvejante, o sangue do cordeiro, não à nossa própria ação. Nenhuma veste se alveja a sí mesma, ela sofre a ação do alvejante e do lavandeiro.

Que espírito é este que nos faz achar que temos o direito de medir a compreensão espiritual dos outros por seu “desempenho” diário, como se nós houvéssemos entendido e alcançado algo mais, quando nós mesmos não passamos nos nossos crivos. Hipocrisia deslavada, vendo ciscos nos olhos de outros e não atentando para suas próprias traves diante de seus olhos.

Nos julgamos portadores de maior revelação e acabamos por tornar-nos indesejáveis. Quando os crentes inicialmente eram conhecidos por seu amor intenso por todos.

Tira a trave do teu olho e então verá bem .... orgulho. Que mania besta é esta de medir a vida de outros, quem nos deu esta régua?

Afirmações do tipo, ele ainda não viu , ou não conhece o reino de Deus, demonstram nossa arrogância e presunção, pois normalmente nos afastam dos demais, normalmente usamos isto para nos afastar ao invés de nos esforçarmos em dobro para alcançar os corações com a graça de Deus.

Quem és que julgas o próximo? Dizes não matarás e matas? Matas com comparações, requerimentos, críticas, julgamentos, indiferença,...

Quem é que te faz sobressair? Que tens que não recebestes?

Conhecimento do bem e do mal é conhecimento contra Deus.

O nosso acervo de miséria é imensurável.

Estará Deus tão preocupado com certo e errado quanto nós? (refiro-me às muitas listas que costumamos fazer, seguir, e tentar impor sobre outros).

A carne , mesmo travestida de carne piedosa, e esta  é ainda pior, por mais que nos pareça simpática, é abominação ao Senhor, nosso esforço carnal só nos afasta ainda mais do altíssimo. Carne e sangue não herdam o reino de Deus.

Em mim isto é na minha carne não habita bem algum. Ainda não compreendemos o desespero de Paulo em Rm 7, pensamos que há algo de virtude em nós mesmos. Se vivermos chafurdados na lama do pecado, é sinal de que não compreendemos ainda o amor de Deus, mas o que nos tira da lama é ele, não nossa disposição, nem mesmo arrependimento. É a bondade de Deus que nos conduz ao arrependimento.


É inimaginável os danos causados por posturas como algumas destas citadas, não admira de que muitos tenham ojeriza dos crentes, ninguém gosta de estar sob continuo julgamento, aliás o filho do homem não veio para julgar o mundo, mas para salvar o que se havia perdido.