segunda-feira, 21 de julho de 2014

O tesouro e o coração


O tesouro e o coração

O que é um tesouro??? Qualquer ser ou coisa que para nós tenha um especial valor, incluindo pessoas, objetos, ideias, ideais, sentimentos, entendimentos, relacionamentos etc,etc, etc...

Como saberei qual é o meu tesouro??? Quando alguma situação colocá-lo em ameaça. A possibilidade real ou imaginária de que algo possa acontecer ao meu tesouro, desencadeará em meu ser uma  reação em cadeia, colocando-me em estado de alerta para proteger o meu tesouro, e farei qualquer esforço necessária para isto. Também tem um outro jeito, é só saber onde está o meu coração, lá estará o meu tesouro. O meu coração (atenção, cuidado, interesse, paixão, desejo...) sempre estará junto do meu tesouro, afinal o que dá valor ao tesouro é o meu coração, e não faz nenhum sentido ele valorizar algo e não estar apegado a isto.

Li num livro de Brennan Manning a história de um monge trapista que fizera um voto de pobreza e todos os seu pertences se resumiam a uma cumbuca de barro da qual ele se utilizava para comer e beber, todos se admiravam do desprendimento e renúncia deste homem. Certa ocasião em um evento a cumbuca caiu e se quebrou, este homem ficou profundamente abalado e reagiu com muita intensidade ao fato, os demais presentes se admiraram e ponderaram, era apenas uma cumbuca de barro sem nenhum valor!!! O monge reagiu irado dizendo, vocês não estão entendendo, esta cumbuca era TUDO, TUDO, o que eu tinha!!!

O valor do tesouro para alguém é algo absolutamente pessoal, como no livro o Pequeno Príncipe o escritor relata um planeta em que havia apenas um homem e uma rosa, da qual o homem cuidava com extremo zelo e admirava profundamente a sua rosa, o pequeno príncipe diz ao homem que perguntara o porque a rosa era tão importante para si: “foi o tempo que você gastou com a sua rosa, que a fez tão importante para você”...

Não existe nenhuma possibilidade de mudança na vida de uma pessoa sem que haja uma mudança no seu tesouro, o tesouro determina toda a existência da pessoa, tudo estará necessariamente girando em torno dele, Paulo dizia “ o que para mim era lucro, agora considero perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo”, ou seja tudo aquilo que era tão atraente para Paulo, agora perde seu brilho diante de tamanha glória que ele encontrara. Toda a mudança ocorrida na vida de Paulo é decorrência desta troca de tesouro, agora seu coração encontrara um novo objeto de valor, e tão grande era este valor para ele, que prontamente ele deixa todo o seu pretenso tesouro anterior por um novo tesouro, pelo qual ele desgastou toda a sua vida sem titubear!!!


Na verdade o que Jesus nos diz é que nosso coração sempre seguirá o nosso tesouro, então se quisermos ter um novo coração, tratemos de encontrar um novo tesouro, superior aos anteriores, assim que encontrarmos tal preciosidade, não teremos qualquer dificuldade em pagar o preço necessário por ela. Por isto não fique tão preocupado onde ou como está o teu coração, ele está bem ali, onde está o teu tesouro e ele estará em tudo idêntico ao teu tesouro, nem mais nem menos, pois se o nosso coração está onde está o nosso tesouro, a cada dia seremos mais e mais parecidos com o tesouro. E o teu tesouro onde está???

terça-feira, 8 de julho de 2014

o coração e as coisas.


Quanto maior o vazio no coração de uma pessoa, maior a sua dependência do exterior. Também poderia dizer, quanto maior o apego às coisas, maior a angustia do coração e vice versa. Podemos ver que há uma relação direta entre a necessidade de obter coisas, a contínua necessidade de cuidar da aparência, a busca por aprovação, e a falta de conteúdo no coração. Como já disse alguém, rico não é quem tem tudo, mas quem necessita de pouco, outra pessoa disse que alguém era tão pobre, mas tão pobre que tudo o que tinha era dinheiro. Quanto mais satisfeito está o coração, menos o brilho das coisas o seduzirá. Se vemos alguma pessoa excessivamente preocupada com sua aparência e ou suas posses, podemos ter certeza de que ali está um coração em profunda agonia, sem desfrutar do descanso e de paz em seu íntimo. Triste dor sem fim a de esperar por solução em coisas e pessoas fora de si mesmo, isto é o caminho da depressão, da angustia, da ansiedade. Buscando mudar o exterior jamais chegaremos a uma mudança da realidade pessoal, afinal os outros não tem nenhuma obrigação de mudar para que eu fique bem, estabelecemos assim uma relação conflituosa em nossa existência, distribuindo culpas inexistentes e expectativas que não serão supridas. Onde está o teu tesouro ali estará o teu coração. 
Um coração insatisfeito buscará compensações, vemos então uma coisa muito triste, o ser humano trabalha desenfreadamente para ter coisas de que não necessita, muitas vezes com um recurso que não tem, para impressionar pessoas de quem não gosta, e ainda pensa que está abafando... seria um caminho muitíssimo mais curto dedicar-se a cuidar do próprio coração adequadamente e poupar tanto esforço inútil. A mídia sabe desta neura toda e investe pesado em nos mostrar como seríamos mais felizes e realizados se tivéssemos isto ou aquilo, se fossemos a este ou àquele lugar, se comessemos determinado tipo de comida, etc. Sempre realçando situações que ainda não temos em mãos nos causando a contínua sensação de “está faltando algo à minha vida”, e de fato está, só que o que está faltando não se compra com dinheiro.
Tenho observado que toda a compulsão por compras, comida, bebida, cuidado excessivo da aparência, manutenção de status, reconhecimento pessoal e etc. tem sua origem em corações insatisfeitos, é a busca inútil por prazer e satisfação verdadeira e permanente em coisas que são transitórias. Isto não pode dar certo, como coisas temporais poderão assegurar satisfação perene??? 
Veja se não é assim que acontece; quando uma situação fica ruim em meu íntimo, surge um impulso por comprar, passear, comer, beber, se ao menos eu tivesse isto ou aquilo, estaria mais satisfeito, mais realizado... vou às compras para desopilar... e tadinho do orçamento doméstico.
Eu sou o que sou, não sou o que uso ou o que tenho, nem mesmo o que faço ou que pensam e dizem a meu respeito, é certo que o valor que atribuo ao que tenho, uso, faço, à minha reputação, dizem muito à respeito do que sou, mas o que determina meu ser é o que está dentro, não o que está fora. Este é um poço sem fundo, querer satisfação e realização no ter e no fazer, e não no ser. Mais duro ainda, é que tudo isto pode ser igualmente enganoso e danoso quando revestido de uma capa de “piedade carnal”, uma aparência de piedade,mas no fundo é o velho homem querendo dar o ar de sua graça  buscando satisfação e reconhecimento, travestido de uma forma piedosa mas negando o poder de Deus. Fazendo inúmeras coisas “piedosas” para ser reconhecido.
Arrependimento (mudança de entendimento) é a única solução, avaliemos nossas crenças corajosamente e vamos dar os nomes verdadeiros ao que ali encontrarmos, daí encontraremos a força necessária para uma completa mudança em nossa vida. Enquanto insistirmos em mascarar as verdadeiras fontes de nossa vida, não teremos escapatória. Somente a verdade nos libertará.
Mostra-me a tua fé sem obras, e com minhas obras te mostrarei a minha fé. Tg 3;18.


segunda-feira, 7 de julho de 2014

Vítimas ou protagonistas???

Vítimas ou protagonistas???
Tolice sem tamanho é atribuir a outros ou às circunstâncias a causa de meu mal estar, e de minhas misérias pessoais, agindo desta maneira posamos de vítimas de tudo e de todos e atribuímos a responsabilidade e a solução de nossa vida a outros, esta atitude nos impede de qualquer ação prática, pois coloca na responsabilidade de terceiros a minha possibilidade de cura, e diga-se de passagem, a maioria das pessoas se importa muito pouco com o nosso drama, este caminho nos levará a nada útil, apenas a sofrimento inútil e desnecessário, e ainda por cima dará um poder enorme às pessoas e às circunstâncias sobre nossas vidas!!! A chave é assumirmos a responsabilidade de nossas ações e reações e governá-las, afim de que contribuam  para a solução de  nossos problemas. Quando assumo a minha parte, estou abrindo uma porta enorme à solução do conflito pois não dependo de mais ninguém, mas apenas de mim. Torno-me assim o protagonista de minha vida deixando de ser uma pobre vítima da insensibilidade e crueldade das pessoas que só pensam em si mesmas. Deixemos o papel de vítimas e assumamos o papel de protagonistas da história, conduzindo assim ao final desejado...
Pode ser que alguém ache este discurso um tanto egocêntrico, mas entendo que é fortemente ensinado no evangelho. Em nenhum momento, seja nos evangelhos, ou nas epístolas encontraremos algum incentivo ou aprovação, nem mesmo tolerância para com esta atitude horrorosa de me portar com frágil vítima. Isto jamais se passou na vida do Cristo e nem dos apóstolos após o pentecostes.
Por exemplo vejamos o que nos dizem algumas passagens do evangelho: se alguém te obrigar a andar uma milha, vai duas com ele; se te ferirem na face direita, volta a esquerda; se quiserem tirar a túnica, deixa a capa; perdoe a quem te ofender; se alguém pecou, vá até ele; se lembrar que alguém tem algo contra você, deixa tua oferta e vá até ele; ama até o teu inimigo; ore até por quem te persegue; fale bem (abençoe) de quem fala mal de você (te amaldiçoa); faça o bem  a quem te faz mal; brilhe a tua luz diante dos homens; vós sois o sal da terra; sede perfeitos como perfeito é o vosso Pai; pague o mal com o bem; ame ao teu próximo;  e vários outros... podemos ver nestes ensinos que a ação e a reação é do discípulo, não importa o que aconteça, a minha reação é de minha exclusiva responsabilidade, não depende da forma que fui tratado, não há vítimas. Entender e agir de acordo com isto me deixa de posse de inúmeras alternativas de ação e me livra da prostração e da inércia. Deixo a passividade e passo a ser o agente de mudanças. Torno-me assim livre de todo o domínio exterior e posso ser guiado pelo Espírito que habita em mim.
Ah! quando finalmente entendermos e vivermos estas benditas verdades desfrutaremos daquilo que o Senhor nos ensinou, “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. Sim seremos livres de nós mesmos, de nossos ressentimentos, do coitadinho, do pobrezinho, do terrível sentimento de vítimas.
Levante-se e resplandeça, foi dado a você todo o necessário para ser o protagonista de sua vida, basta o tempo em que andamos subjugados pela tirania deste sentimento.